Entrevista: Dra. Maria Alice Targa fala sobre as viagens escolares
Toda viagem é fonte de conhecimentos, curiosidades e novas experiências, principalmente para quem está em formação e tem a oportunidade de agregar vivências àquilo que presencia, diariamente, em sala de aula. A cada passeio, os estudantes se veem frente a situações muito diferentes daquelas praticadas no ambiente escolar. Em 2011, muitas viagens permitiram que nossos jovens observassem e compreendessem outras realidades.
No primeiro semestre, muitos anchietanos partiram em busca de crescimento – no roteiro, lugares como São Paulo, destino da 7ª Série, a Vila Oliva, em Caxias, que recebeu os estudantes da 6ª série, e as Missões Jesuíticas, no noroeste do Rio Grande do Sul, onde estiveram as turmas do 4º Ano. Além disso, carimbamos nossos passaportes rumo à Europa, com o Show Musical Anchieta Canto e Dança.
Uma viagem escolar também proporciona às crianças o desenvolvimento da autoconfiança. Sair sem os familiares é uma forma de elas sentirem autonomia. “Os passeios e a ampliação de convívios são muito proveitosos, tanto culturalmente, quanto para os exercícios de distinção entre a casa e o ambiente coletivo e social”, analisa a psicóloga Maria Alice Targa. “As crianças que sabem se comportar são queridas e aceitas. Isso dá prazer para elas e para os que convivem com elas.”
Para quem fica e para quem vai, o importante é haver cumplicidade. É longe dos olhos da família que os jovens podem comprovar sua maturidade e consciência daquilo que é permitido ou proibido fazer. Cabe aos responsáveis dar um voto de confiança. Aos filhos, cabe fazer essa confiança valer.
Mãe e vó anchietana, a psicóloga Maria Alice Targa traça um panorama sobre os benefícios das viagens escolares, o voto de confiança dos pais e as responsabilidades quando os jovens passam um período longe de casa.
O que acontece com as crianças quando elas saem sem os pais?
Maria Alice – Depende da idade, ou seja, do estágio do desenvolvimento. Quando a criança é muito pequena, o trabalho interno que ela tem de realizar é muito grande, e ela pode fracassar. O que não é bom para ninguém, principalmente para ela. Se ela estiver bem adaptada à escola, tem amigos e frequenta outros ambientes, ela terá segurança, não se fragilizará e terá uma sensação de capacidade. Isso, normalmente, acontece a partir dos 7 ou 8 anos.
Que benefícios as viagens trazem aos alunos, nos aspectos cultural e comportamental?
Maria Alice – Quando a família passa com clareza a sensação de que não é o único ser confiável no mundo e escolhe bem em quem confiar, as viagens, os passeios e a ampliação de convívios são muito proveitosos, tanto culturalmente, quanto para o exercício de distinção entre casa e o ambiente coletivo e social. As crianças que sabem se comportar são queridas e aceitas. Isso dá prazer para elas e para os que convivem com elas.
Quais são os riscos que podem ser previstos numa viagem?
Maria Alice – Os mesmos que podem ser previstos na vida contemporânea. Veículos, cuidados, precaução ao dirigir, vacinas em dia, atenção às brincadeiras… Subjetivamente, a criança que for amada tem como característica se gostar, cuidar-se e cuidar dos amigos. Devemos levar em conta que a infância é curiosa.
O que os pais devem considerar ao autorizar a ida a um passeio da escola?
Maria Alice – Olhar para si próprios e perguntar-se: por que escolhi essa escola? Se confiam na escola e confiam na educação que deram aos seus filhos, um passeio pode e deve ser visto como uma experiência enriquecedora.
Como a criança desenvolve a autonomia a partir das atividades propostas pela escola?
Maria Alice – A aquisição da autonomia é um longo processo, que vai acompanhando o indivíduo desde bebê até o final da adolescência. Existem contextos que facilitam, e outros que dificultam. As crianças que demonstram que estão bem, tranquilas e saudáveis ficam felizes em investir em atividades na escola, pois o colégio é o melhor “meio campo” entre o núcleo familiar e a sociedade.
Como os pais devem preparar os filhos para esse momento de sair com outras pessoas?
Maria Alice – Dando-lhes segurança efetiva, ensinando-lhes a diferenciar o ambiente particular (casa) do ambiente coletivo (escola, hotel, conduções…), assegurando-lhes que acreditam e confiam em quem estão cuidando e aconselhando que conheçam seus limites e obedeçam aos responsáveis.


