Com uma vida dedicada à fé e à educação, o novo Diretor-geral do Colégio Anchieta inicia seu mandato reafirmando o compromisso com a formação integral de crianças e adolescentes. Integrante da Companhia de Jesus desde 1984 e sacerdote desde 1996, sua trajetória é marcada pelo serviço na formação de jesuítas, na pastoral, na governança e na educação, sempre guiado pelo propósito de fazer o bem onde quer que esteja.
Ao revisitar suas experiências como jesuíta, ele fala sobre um futuro pautado na fé e na responsabilidade de preparar as novas gerações para a vida adulta em sociedade, com valores e esperança da Pedagogia Inaciana.
Poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória de vida, vocação e caminhada na Companhia de Jesus?
Ao longo destes 42 anos estive em muitos lugares, encontrei muitas pessoas em situações diversas, mas o fio de ouro deste caminhar é o de que onde quer que estejamos todos somos chamados a fazer a vontade de Deus: o bem.
Como foi sua atuação no Colégio Anchieta nos anos de 2005 e 2006? Quais aprendizados e experiências daquele período o marcaram?
Naquela época, trabalhei diretamente com os alunos. Sabia que, se queremos ler os sinais dos tempos, devemos estar dispostos e ver e ouvir o que as crianças e adolescentes nos mostram e dizem. Uma nova geração em formação está carregada de energia e vida que fomentam a esperança. O principal aprendizado daquela ocasião foi o de que, em meio a muitas mudanças sociais, as novas gerações precisam da presença de adultos capazes de testemunhar os valores que garantem o bem da sociedade. As crianças e adolescentes formam-se por meio dos exemplos das referências mais próximas.
Durante o período das enchentes no Rio Grande do Sul, qual foi a contribuição do Colégio Anchieta em apoio ao projeto Fé e Alegria? Como o senhor avalia a mobilização da comunidade nesse momento?
Nas enchentes de maio de 2024, as águas atingiram a altura de dois metros e cinquenta e quatro centímetros na área do projeto Fé e Alegria. Os espaços da Fundação Fé e Alegria e da Paróquia Santíssima Trindade foram completamente destruídos. Enquanto as águas iam baixando, o Colégio Anchieta, a APM e Associação dos antigos alunos 4A foram se mobilizando para ajudar na reconstrução. Já no dia 30 de maio de 2024, começamos a limpeza. No dia 08 de junho, celebramos a primeira sexta-feira do mês com apenas 3 participantes. No dia 13 de junho, já tínhamos espaços qualificados para acolher crianças. Cada dia que passava, novos espaços eram liberados e mais crianças vinham. O apoio da família anchietana foi fundamental nesse processo, para que pudéssemos ficar de pé e olhar para frente com esperança.
O senhor possui experiências internacionais em sua formação e missão. Poderia compartilhar como essas vivências contribuíram para sua visão de educação e liderança?
O fato de ter vivido em contato com muitas culturas diferentes lapidou o meu coração e abriu a minha mente. Nós, seres humanos, independentemente de onde estamos, de qual país pertencemos, temos as mesmas necessidades naturais, e os desejos são frutos do entorno e da cultura. O que define o ser humano é a bondade, a verdade, a beleza e a unicidade. Todo encontro com o diferente é uma oportunidade privilegiada para conhecer a aprimorar a nós mesmos. O outro possibilita que sejamos melhores.
Quais são as principais metas e prioridades para este novo mandato à frente do Colégio Anchieta?
Como instituição da Companhia de Jesus, o Colégio Anchieta deve continuar respondendo com coragem e criatividade aos novos desafios que se nos apresentam. Para isto urge formar sujeitos compassivos, comprometidos, conscientes e competentes por meio de uma educação cidadã global, sustentável, sensível e inclusiva.
Que mensagem o senhor gostaria de deixar à comunidade anchietana neste início de gestão?
Gostaria de destacar que o Colégio Anchieta e as famílias devem, com muita lucidez e cordura, preparar as nossas crianças e adolescentes para a vida adulta em sociedade.









